quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Falta

Cadê eu?
Fiquei no caminho,
na margem d'um lugar
que sequer tem nome
(Esse não é o meu lugar!)

Cadê a palavra,
que desvendava a alma?
Hoje parece oca.

Cadê o luar,
que iluminava a escuridão?

Cadê a dor que passava
só em tocar a sua mão...

Hoje a dor me falta,
isso me afasta.
(Antes dor, que o vazio)

Cadê a lágrima?
Ela não rola e me aperta o peito.

Cadê o segredo, o sonho, o desejo?
Cadê a flor, a tela, a música
a melodia que fazia dançar, amar?

Cadê a infantil falta de senso
que não me fazia desistir?
Não me fazia deixar de amar...

Cadê a insistência diante do não?
O não era apenas um ponto de partida
e não o final.

Hoje sou ponto.
Hoje não sou, não estou.
Hoje passou
Hoje sou o ontem sofrido
desse dia feliz
que um dia há de chegar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fogueira



Em baixo da cinza, tem fogo.
Não bote lenha!
Lá, na serenidade da cor,
tem vida,
não pode ser remexida.
Na paz, do que é quase fim,
pode estar o começo,
e eu digo, e repito,
não bote lenha!

Também não sopre,
pois não apaga!
A mais leve brisa
pode ser fonte,
e eu volte.

Não seja fonte,
não seja sol,
o solo é árido.

Não toque nas cinzas,
só o tempo pode apagá-las.

Me deixe ser fogo
sob as cinzas,
enquanto puder.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Adiando o amor


O abraço do desejo que envolve
e provoca arrepio na pele,
com indício de paixão.

Um sentimento,
o desconhecido.

A voz que sussurra e provoca.
A mão forte, em movimentos suaves
e toque macio.

A canção.
O silêncio.
O nada, se fazendo existir.

O olhar guardado, que intima,
pois o coração condena.

E a palavra, que cala,
adiando o amor.

domingo, 24 de julho de 2011

Esse mar...



Ah... esse mar
de um amor estranho
que manipula meus dedos,
invade meus sonhos
e descreve em palavras
o que nem eu mesma ousei

Ah... esse mar
que me aguarda, e nem sabe
as aguas em mim estão mansas
meu peito quebrando alianças
pisando centelhas de antigas chamas

Ah... esse mar
me faz querer voltar atrás
retomar antigo e complexo caminho
(que reflete cansaço)
de um faz de conta que terminou
sem nunca antes ter começado

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Danço com você!



Danço contigo,
ao som da melodia triste
que me amansa a lágrima,
depois do segundo, terceiro copo.

Danço,
ouvindo a letra que promete
o regresso
de quem sequer se foi
e, ainda assim,
machuca o peito.

Danço...
e novamente danço
sentindo-te comigo
ao som desse bolero
que me arrepia a pele
e faz verdade
cada pensamento meu.

Nostalgia pura,
a melodia, a letra,
a cena, o som,
a cor rubra do batom
que sequer saiu da boca
(enfeitou apenas
a taça solitária
que embriaga a alma
e faz promessas
sem sentido.)

Danço,
no sentido literal da palavra
quando o som cala
quando os olhos abrem
e as lágrimas rolam
quando largo o copo vazio
anunciando a solidão
de um lençol frio
sobre a cama
que aguarda
uma pessoa só.

Mesmo assim danço
sempre...
com você!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paz interior




Paz interior...
numa mesmice agradável.

Noites sem sonhos,
sem pesadelos, e
vivendo apenas o normal,
que antes tanto assustava,
e do qual tanto se fugia.

Medo,
apenas de encarar as linhas
e de não ter o que dizer.
O normal é assim!

Saudade
das palavras que diziam
e que faziam sentir.

Sentir pra quê?

Deus me guia
e tudo,
tudo,
continua no lugar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não consigo silenciar



Eu não consigo silenciar
porque meu desejo fala
minha pele exala,
palavras
que guardo no pensamento.
Que não se perdem no tempo
já que vem do amor
e o amor é atemporal.
É tão bom não ter mais força,
me entregar,
e, a ti, confiar meu coração.
Deixá-lo me fazer voar...
E se, por acaso, errar
(eu, você)
culparemos a paixão.

terça-feira, 15 de março de 2011

As vezes eu odeio




As vezes eu odeio
a franqueza dos fracos,
ela não me convence.
Odeio o medo sem sentido, excessivo,
de quem nem tentou.
Não suporto a frieza de quem desistiu
quando viu o percurso
e o chamou de impossibilidade.
Tenho pena de quem não vive
e se sente feliz diante de seu mundinho pequeno
(e não abriu os olhos para o inexplorado).
Que a escuridão venha para os iluminados
que reclamam da vida e não enxergam a sorte que têm
talvez assim possam dizer: "Eu era feliz e não sabia!".
Tenho pena de quem não sentiu o calor do sol na pele
só porque disseram que não fazia bem.
E também da ignorância de quem julga,
sem saber sequer do que está falando.
Ignoro totalmente a cegueira medíocre
de quem só enxerga defeito
e só fala o desnecessário.
Desprezo a opinião de quem disponibiliza tempo
apenas para criticar a vida alheia
e sequer olha para seu próprio umbigo.
E, finalmente,
não quero perder meu tempo
com coisas ou pessoas que dão passos para trás
sem prestar atenção nas cenas dos próximos capítulos.
Sinceramente, gente assim
eu acho ridículo!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A arte de ser poeta




E, ser artista e ser poeta é ser eterno
É ser vida, mesmo quando em sua morte
É ser sorte, mesmo quando em triste fardo
É ser tudo, mesmo quando resta apenas nada
É ser forte em expressão, mesmo estando fraco
É carregar a dor, com amor, de seu dom de ser ator


Escrito em 14/03/2009

Inútil Silêncio




É inútil fugir
da vida,
da fantasia,
dos sonhos

É inútil querer desprezar
ou esquecer
ou desinventar
o amor,
e os atores
desse só nosso
paraiso.

Me recuso a deixar de existir
(Mesmo que
em nossa realidade inventada)
Me recuso a deixar de viver,
de conhecer,
de amar,
de aprender
e de compartilhar,
um "sonho"
com você!!!

E nesse seu inútil silêncio,
que por vezes não cala,
grita em mim a ausência
do amor de quem,
na impossibilidade de existir,
só se esconde,
e mesmo assim
só faz bem
(mesmo diante
de inúmeros
e dispensáveis
"adeus")

Fio da meada




Não há outro sentido

Não existem aspas

Não há culpa,

nem dúvida,

nem impasse.


Nada é indecifrável

nem enigmático...


O simples, o verdadeiro

ou o significado

é o que está escrito e só.


Com essa mania de pensar demais

pegamos o fio da meada

e damos um nó!!!

sábado, 5 de março de 2011

Várias Razões



Há um navio que ancora em teu porto
discreto, mas cheio de emoções
ele não te leva dissabores, como os outros
Mas tu não enxergas por várias razões

Dá atenção pras tristezas
se entrega ao vazio do sofrimento
esquece da vida em alguns momentos
e segue o caminho das incertezas

Olha dentro de ti
e acharás teus sonhos
Um coração não se perde
se não for por amor
olha o navio em teu porto
que há muito ancorou
A morte eu peço
mas para teu passado cruel
e muita vida para o momento
que ainda nem começou

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma pena... uma dor!




Uma tela
Uma mesa
Uma dor

Uma pena
Um tinteiro
Um escritor

Uma música
Uma poesia
Um apelo

Um ano novo,
um novo mesmo amor
mais um ciclo a ser vivido
dentro d'um sonho antigo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lamentos



Vejo o tempo passar, mas não vejo reação nem mudança.
Vejo apenas as diferenças fazendo aniversário e se acumulando.
E porque será que, ironicamente, a resposta disso é necessária para poder mensurar o lugar em que se ocupa?
E, analisando bem, visto através desse ponto de vista, sinto-me reduzida a nada.
A vida está um desastre por si só e, apenas "o tempo" não resolve nada nesse momento,
e isso preocupa, e entristece a cada dia...
A falta existe, mas não do que se representa hoje, mas sim do que já foi um dia.
Tudo isso já foi sentido antes, porém não cabe, e nem se deve, sentir tudo outra vez, é muito dificil isso agora... se deixar levar e/ou passar por velhos tormentos.
Talvez o susto do novo faça-nos permitir o sofrimento, mas a sensatez da experiência não tolera mais!
E talvez essa intolerância tão viva, esteja estragando tudo ou querendo fazer viver o novo.
Não existe vida sem lamentos, mas não se pode viver mergulhado apenas neles. Uma hora falta o ar e a alma se afoga.
Que a vida seja repleta de sentimentos, mas que não precisem ser sufocados.
Que a dor seja presente, mas que alegria visite trazendo alívio para as novas dores e decepções inevitáveis
Que a mente relaxe, e que apenas uma vez só na vida tudo se resolva por si só, feito um bônus divino.
Que o coração enlouqueça,
Que a cabeça trabalhe,
Mas que, finalmente, os lamentos encontrem a paz...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dias comemorativos (ou Carta para meu Pai)



Eu tentei te homenagear no seu aniversário,
dia de São João
mas, uma onda de carência do seu afeto me invadiu,
e eu chorei.
É que nesse dia dançávamos juntos
ao som de Luiz Gonzaga,
você, o dançarino mais desengonçado que já vi,
e o meu predileto!



Eu queria te visitar ontem, dia de finados
mas achei melhor não,
me sentiria comemorando tua morte
e isso hei de não fazer jamais,
mesmo sendo chamada de insensível
pois nunca fui "te visitar".



E se eu for?
E se eu te encontrar?
O que vou fazer com essa vontade
de te agarrar e te chacoalhar
cobrando de você, que me dizia,
que jamais iria me abandonar?
E essa dor agora?
E essa lágrima que cai?
Certamente não é porque sou insensível
mas, pela certeza de que, se eu for,
não vou te encontrar...!



Hoje não estou para romance,
nem aí para as rimas
Meu corpo treme, minha alma cansa,
meus olhos inundam
e uma sensação de impotência
me faz, simplesmente, parar.



Também não gosto do Natal,
a gente se reúne e você não está.
(pior que ele chega já!)
Eu gosto do carnaval,
bebo três dias sem parar
e você não está pra reclamar
Mas, o único dia que comemoro,
e realmente adoro,
é o dia primeiro de abril
Pois minto todos os dias para mim mesma
fingindo, o ano inteiro, que você nunca partiu.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Desconfio




Desconfio que o coração quando bate forte assim
é sinal de uma alma aprisionada, lutando querendo se libertar.
Mas, esse meu coração não há de desistir, não há de se entregar!
E as lágrimas que não aprisiono parecem deixar escapar um pouco desse tormento,
de algo que sobrevive e insiste em criar vida e dominar.
Alma não chora! Ela nos guia ao nosso destino e como inimigo de nós mesmos
procuramos racionalizar os sentimentos tentando anular a existência do amor,
da ausencia, da esperança ou da liberdade de escolha que possuímos.
E porque não acolher o prazer que está por vir?
Nem sempre prazer é sinônimo de realidade, segurança ou verdade.
E a fraqueza toma conta, domina e decide pelo não.
Dificilmente se arriscar (e, quem sabe, perder ou errar) será hábito de muitos. Muitos de nós, aliás, não aceitamos perder para se conseguir mais.
Só queremos somar!
É um hábito muito posto em prática nos dias de hoje e, naturalmente,
se tem perdido muitas possibilidades de ser feliz com medo de dividir o que pouco se tem. Viver não é fácil e ser feliz, nem se fala. Meio paradoxo, mas é a pura verdade... dá um trabalho e é sofrido conseguir ser feliz, uma vez que vivemos anestesiados, sensíveis apenas às fortes emoções, onde é preciso muita força de vontade para conseguirmos apertar o freio, desacelerar e parar pra sentir a delicadeza do que realmente faz diferença em nossas vidas. Pequenos detalhes que, comumente, deixamos escapar por estarmos procurando coisas grandiosas as quais direcionamos nossas frustrações por não tê-las. Vamos somar tristeza com sorriso, alegria com lágrimas, dor com resultado positivo. Vamos tentar criar um meio termo, ou quem sabe ser um pouco *Pollyana e jogar seu "jogo do contente" adotando, como hábito, atitudes e interpretações otimistas. Vamos libertar nossas almas, vamos treinar um sorriso em meio às angustias. Não vamos somar tormento às dores e decepções, pois elas já são um desastre por si só. Procuremos com isso novos caminhos, procuremos não nos deixar dominar por nós mesmos (quer prisão maior que essa?). Não vamos mais sofrer pra ser feliz!!! Eu quero ser feliz pra continuar a ser feliz, mesmo que com pouco, se for apenas isso que me reste!
Desconfio, que quando estou assim, estou mais uma vez acordando pra vida, pra uma
nova etapa que inicia. E tudo o que é novo de certa forma assusta! E eu com minha cara de espanto respiro fundo, sigo em frente e dou aquele próximo passo.
Desconfio de tudo, mas sempre, sempre confiando em mim!



*Pollyanna (ISBN 8504006085 ) é um romance de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 e considerado um clássico da literatura infanto-juvenil.
Veja mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pollyanna

sábado, 11 de setembro de 2010

Atemporal




Atemporal,
a dor nos meus versos
o amor que desconverso
a distancia que aumenta
a insonia nesse quase adormecer,
ou o despertar que me enfrenta
te desinventa e me atormenta

Atemporal,
também, o verbo amar
desses teus olhos que não vejo
dessa tua brincadeira de desejo,
noturna, de faz-de-conta
que me faz as vezes sentir
a doçura, em meus lábios,
de um longo e terno beijo

Atemporal e terso
talvez só meus versos
quem sabe o amor que sinto
eu minto
quando borro meus sonhos
numa tela abstrata,
ou quando desconverso,
ou me traduzo
numa complexa obra de arte

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Labirinto das palavras




Sua risada me condena
à liberdade de te amar para sempre
Satisfaço meus desejos mais intensos
num simples tocar de pele ou troca de olhares
Falo tanto com o silêncio dos meus lábios
e com a força e suavidade da minha expressão.
Numa linguagem cujo entendimento é para poucos
mas você não entende a magia do amor e
se atém apenas ao labirinto das palavras
Percorro teus passos em busca do entendimento
para que a fusão de nós dois não seja uma simples miragem
e que eu descubra na insensatez dos meus versos
o explendor no aroma que incendeia teus desejos
que me harmonizará por fim na melodia de tua canção
Nela que tem balanço, encanto e acalanto
Nela que me diz o meu lugar e nela onde meu corpo está
agora, sofrendo pela dúvida de não saber o que pensar
e o pensar que consome o tempo de onde apenas se devia amar

sábado, 24 de julho de 2010

Dispenso enfeites e palavras




Se me amas em cada verso, em cada canto
Um amor assim dispensa enfeites, até palavras
colorindo minha estrada, enxugando meu pranto
transformando em vida um antigo conto de fadas

Se me amas, mesmo nessa insânia doçura, portanto
(desse vento ambíguo que não traduz minha soada)
espero traduzir-me nessas rimas, mostrar meu encanto
e uma delicada declaração de minha alma apaixonada

Se me amas, isso não é motivo para eu te amar
mas sim as palpitações no peito, meu olho sem jeito
que me acometem quando estou contigo, ou a te fitar

Se me amas, só entendo isso agora, para meu pesar!
E mesmo muito feliz agora, lamento o que não foi feito
ou dito, e insisto, sem demora venha correndo pra me amar!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Promessas em vão



E eu imploro,
coração não vença!
E numa luta constante
onde quase perco
a paz,
o juizo,
a razão...
onde quase ganho
a migalha do teu coração
Como estar submergido
sobrevivendo por apenas um fio
de sopro, que vem da tua paixão
e uma simples onda me condena
e me afoga nesse mar de indecisão
de medo, de dúvida
do pecado que eu mesma criei
quando fiz promessas em vão
pra um Deus que não cansa
de me aconselhar
e de me abençoar
com seu eterno perdão

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vamos viajar agora?



"Uma velha amendoeira, que eu plantei na infância. Daquelas que enfeitam a terra com suas folhas secas, avermelhadas. Há quem diga que só fazem sujar, pois não enxergam a beleza de mais um ciclo que se completa. A beleza da vida tão bem representada e tão pouco admirada. E sobre esse tapete de barulho característico e agradável me deito e leio um livro, embaixo de uma sombra que me deixa curtir a brisa suave que respira em meus ouvidos numa canção que apenas se ouve ao ouvido de poucos. E esse céu pintado de azul com mesclas brancas que me transporta a um estado de paz inerente ao lugar, me permitindo viajar nas páginas que devoro insaciavelmente e que me contam uma bela história de sedução e amor, que se fundem invariavelmente na vida das personagens e do meu "eu" personagem que participa passivamente e devora compulsivamente aquelas linhas."
Pra falar a verdade, estou no trabalho... quatro paredes, duas portas, e uma delas apenas vai dar no banheiro. A outra, vai dar na rua que costumeiramente tem um barulho infernal devido ao fluxo intenso de trânsito. Além disso, o que mais se vê? Comercio! E pessoas fazendo o comercio. Dando vida a ele com toda força e intensidade. Acumulo de stress não traz dinheiro, nem paz. E em um razoavel espaço de tempo estamos nós gastando o que conseguimos ou até tres vezes mais, em clínicas, terapias e medicamentos. Por isso mesmo, quando o bicho pega, mesmo sentada aqui nessa cadeira de escritório com rodinhas, eu viajo mesmo. E debaixo dessa velha amendoeira imaginária relaxo, e leio e descanso por alguns instantes. Por vezes volto no tempo, na idade que me convier, por poucos minutos mas, quando volto, tomo uma xícara de café e renovada, com a cabeça fresca (quem sabe daquela brisa suave) encaro o batente com as idéias fluindo melhor e com a cabeça no lugar.


Bom relax a todos!!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Co-piloto que mora em mim



Você não se importa
e eu sofro, e eu penso...
Seria querer o impossível
ou ainda não é o momento?
(E cada dia que passa,
apenas maltrata, ainda mais).
Grande tormento que incentiva
e dá asas pra uma mente iludida
que ignora impossibilidades
e luta em vão nessa guerra de uma alma só.
Pura fantasia que,
não cabendo mais chamar assim,
passou a ter vida, força
mesmo depois do quase último suspiro
que quase trouxe o fim.
Possibilidade de um imaginário
que acrescenta e desmente
que os passos pra trás
estão se recolhendo ao passado.
E o adiantado da hora pede urgência
pede clareza, transparência
para que o amor não se torne dor
nem lembrança, nem castigo
pra esse coração que luta
não desiste, não cansa,
nem admite que já foi vencido.
Paralelo a isso eu vivo,
num paradoxo inteligível
sorrindo,
numa carapuça que subsiste
e aciona
o co-piloto que mora em mim

sábado, 26 de junho de 2010

Falso diamante



Esse peito...
Desacelerado, meio com gelo
buscando um "sei lá o quê",
cambaleante, meio sem jeito
ou cansado de ser intenso,
quem sabe...
(talvez numa fase
de não querer).
Pretensa poetiza
escondendo-se por trás
de fajuto coração de pedra
que, no íntimo, ama
mas, se engana...
pois não aguenta mais sofrer.
Essa zircônia,
que disfarçava-se em diamante,
hoje se quebra...
não há mais de se enganar
nem de, mais uma vez,
me fazer morrer

Idem...



Idem, pra você!
Confesse-me...
se quer chegar em algum lugar,
não parece!!!
Minha ética, meus zelos...
normal, deveriam ser mais rígidos
mas têm se abrandado por ti.
Idem pra você a dúvida,
a ausência e a pusilanimidade
que não faz jus a idade
Ofereço-te uva verde
afim de que amadureça contigo
para uma nova e singular colheita
A vida é farta de surpresas e aprendizados
não quero repetir os erros do passado
Não sou árvore seca...
boas árvores sempre dão bons e novos frutos
e eu estou enfeitada de brotos
O pão nosso de cada dia é uma benção
mas não me impede de almejar o vinho
deixo em paz teus segredos
(E não o tenho feito até hoje?
O que sei?)
E confesso num caminho desabitado
que apenas sigo os trilhos, ansiosa
por ver onde vão dar!
Meu dedo em riste é óbvio
Sou "a Donna", mas não da razão
pra julgar ou perdoar
Somos feitos de momentos e,
desabafos fazem parte do verbo amar

domingo, 20 de junho de 2010

Mea Culpa



Mirante,

esse que olho...

sem lados,

sem fim,

sem saídas.

Meu Deus...

me diz,

o que será de mim?



Mea-culpa?

Ah, quem me dera...

sou mais que isso.

Sou a carne,

sou a verdade

do lado mentira,

sou o foço d'um poço chamado desgosto

sou a desgraça do que dizia:

"Ah, quem me dera!"


Ele espreita,

e sofre,

e decide,

e quem sabe eu suplique

ainda mais...

Mea-culpa?

Ah, quem me dera!

Sou a parte real da mentira,

aquela que no imaginário se dizia

mas não era,

mas fingia

e bem...

tanto que foi crucificada

no ócio

no silêncio

no vazio

d'um momento que cala

mas não tarda

e fala...

e tudo terá fim.

Só não se sabe que fim...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Manto de sombras



Faces de um lado obscuro
sem luzes no fim do túnel
Silencioso
como os sorrisos de canto
ou como os olhares mendigos
que se expõem, mas de tão inexpressivos
apenas conseguem silenciar

Falo de uma emoção que não se descreve
(que traz no coração um vazio, um aperto)
como quando se aventura na cama, sem sono,
e o consolo...
um controle remoto, um travesseiro!

Ao amanhecer, sem despertar
dormindo de olhos abertos
o dia com roteiro já certo
que passe logo, pois é preciso deitar

no meio do dia, sem aguentar
se deita, e rola,
o frio incomoda
se enrola
mas não se deixa levantar

Em sua mente um mundo
que não pára, projeta
anseia e lamenta
mas seu corpo, estátua
já não pode concretizar

Seu amigo, um terapeuta
seu alimento, "um" tarja preta
Suas vestes, um manto de sombras
e a força que não encontra
se esconde, por trás
de um simples versejar