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sexta-feira, 7 de março de 2014

Smile


Meus olhos sorriem,
um sorriso largo
como daqueles bonequinhos “smile“ de batata frita congelada.
Tentador é sentir frio na barriga e não se embriagar dessa sensação.
A palavra seguinte se antecipa a anterior causando frisson em minhas frases.
Euforia...
Palavras submersas respirando por apenas uma pequena bolha de ar,
que surge ao acaso, ou de improviso ou de favor...
sabe-se lá!
Palavra antiga que não envelhece, não tem idade.
Eterniza-se nesse breve presente de apenas um segundo,
medida de tempo que passa, logo o presente passa.
O segundo passa, mas a palavra fica no segundo de agora.
A palavra é estável.
Você é palavra.
Você não envelhece.
Você não passa.
Mesmo que o tempo passe,
você não passa.
Você sendo palavra, e não pessoa, é o segundo de agora e não o que passou.
Por isso o sorriso largo, de “smile“,
pois mesmo que deixemos de existir algum dia,
renasceremos a cada momento em que essas palavras forem lidas.
Nesse instante, nesse segundo, seremos vida.

domingo, 2 de março de 2014

COVA ARDIA

Sei que a solidão do meu poema tem tua companhia.
Constante és nessa tua ausência tão marcante.
Sei que tu estás.
E ao ler estas linhas, é um tal de auto controle indesejável.
Covarde és... auto controle.
Teu sorriso solitário me responde.
Um sarcasmo que me consome.
Covarde... fragilidade.
Tua cadeira gira, mas não tira do lugar.
Não há enfrentamento,
apenas o pensamento que consome.
Devorador de almas.
Covarde... arma.
Não só se apunhala,
mas se arrasta,
levando-me consigo em sua COVA ARDIA.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Algumas poucas palavras...

Preciso da tua palavra,
da tua gritaria tardia e espaçada
- que fazia alarde, e só.
Nada além de fragmentos
de uma desprezível medida de vontade.
Homeopático do amor,
curando o coração com abstinência e se auto imunizando com
o próprio veneno que exala.
Acostumo-me com o quadro branco,
sem riscos,
sem risos,
sem lágrimas.
Me vem o impulso de escrever doces palavras.
Mas não me identifico com essa angustiante forma de dizer o que não se sente.
Se o buraco é negro, deixa estar.
Talvez esse incomensurável vazio se preencha com a escuridão de sua profundidade.
Que seja vazio enquanto cure…

Foto: Carol Burgo

domingo, 8 de abril de 2012

Rabiscos

Escuto mil sons
Releio tuas linhas
Me perco nas entrelinhas
Não entendo o remendo nesse amor.

Rabisco. Risco. Desespero.
Preciso de você aqui.

Sereno é o amor que alivia.
Ausente, desmente sua serventia.
Sofro de noite, de dia.
Com essa falta de você.

O choro me faz desistir.
Em desespero adormeço...
E o desejo?
Renasce no amanhecer.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Doce castigo



Falando de você, pra mim.
Me escuto atentamente.
Tentando me convencer.
Não é tão ruim sem você!

Não foi recentemente...

O pouco tempo ausente,
que já era muito,
se estende
até hoje. 

O tempo agora é antigo.
Ele, outrora inimigo, 
faz as pazes comigo.
Me deixa sentir saudades
mas, hoje, sem sofrer.

Sem sofrer,
lembrando você 
apenas,
um doce castigo!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A pergunta que não queria calar

O óbvio não mostra a essência, não se engane.
Se a sensibilidade for pouca, não julgue.
O ódio é a máscara que ofusca o anseio,
o desejo do que deveria ser, e não foi.

Silêncio não cala pergunta.
Maldita seja a palavra não dita!

A introspecção promove o ponto final a reticências,
e dá continuidade ao que deveria ser fim.
A singularidade dessa prisão, de certa forma,
se torna plural nas coincidências,
e se torna explícita
quando a expressão não cala,
assim como fez a boca.

A falta, por fim será resposta.
Só não preencherá o vazio
que tomará conta do que antes era,
apenas
a pergunta que não queria calar.

E, se não entender isso,
de nada adiantará...




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fogueira



Em baixo da cinza, tem fogo.
Não bote lenha!
Lá, na serenidade da cor,
tem vida,
não pode ser remexida.
Na paz, do que é quase fim,
pode estar o começo,
e eu digo, e repito,
não bote lenha!

Também não sopre,
pois não apaga!
A mais leve brisa
pode ser fonte,
e eu volte.

Não seja fonte,
não seja sol,
o solo é árido.

Não toque nas cinzas,
só o tempo pode apagá-las.

Me deixe ser fogo
sob as cinzas,
enquanto puder.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Danço com você!



Danço contigo,
ao som da melodia triste
que me amansa a lágrima,
depois do segundo, terceiro copo.

Danço,
ouvindo a letra que promete
o regresso
de quem sequer se foi
e, ainda assim,
machuca o peito.

Danço...
e novamente danço
sentindo-te comigo
ao som desse bolero
que me arrepia a pele
e faz verdade
cada pensamento meu.

Nostalgia pura,
a melodia, a letra,
a cena, o som,
a cor rubra do batom
que sequer saiu da boca
(enfeitou apenas
a taça solitária
que embriaga a alma
e faz promessas
sem sentido.)

Danço,
no sentido literal da palavra
quando o som cala
quando os olhos abrem
e as lágrimas rolam
quando largo o copo vazio
anunciando a solidão
de um lençol frio
sobre a cama
que aguarda
uma pessoa só.

Mesmo assim danço
sempre...
com você!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paz interior




Paz interior...
numa mesmice agradável.

Noites sem sonhos,
sem pesadelos, e
vivendo apenas o normal,
que antes tanto assustava,
e do qual tanto se fugia.

Medo,
apenas de encarar as linhas
e de não ter o que dizer.
O normal é assim!

Saudade
das palavras que diziam
e que faziam sentir.

Sentir pra quê?

Deus me guia
e tudo,
tudo,
continua no lugar.

sábado, 5 de março de 2011

Várias Razões



Há um navio que ancora em teu porto
discreto, mas cheio de emoções
ele não te leva dissabores, como os outros
Mas tu não enxergas por várias razões

Dá atenção pras tristezas
se entrega ao vazio do sofrimento
esquece da vida em alguns momentos
e segue o caminho das incertezas

Olha dentro de ti
e acharás teus sonhos
Um coração não se perde
se não for por amor
olha o navio em teu porto
que há muito ancorou
A morte eu peço
mas para teu passado cruel
e muita vida para o momento
que ainda nem começou

terça-feira, 30 de março de 2010

Ah, querido poeta...



Ah, querido poeta...
Escreves por estar vivo
(não apenas ante o oposto
da palavra morte,
mas em sua essencia,
cheia de sentimento,
de sentidos apurados,
de percepção de vários universos)
e com isso eternizas tua alma,
teu pensamento, tua memória,
mesmo quando da falência
da casa de teu espírito
com prazo de existência.
Ao contrário,
tuas palavras hoje registradas
dão início a tua eternidade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Velha infância perdida



Coragem, criança!
Não se amedronte diante da vida,
te tomaram a boneca, a infancia,
perdoe por toda essa ignorância.
"Eles não sabem o que fazem nem o que dizem!"
Vamos pensar assim
é bem mais fácil de engolir.
Reage, se te tomaram a infancia
implica que não és mais criança
e tens a obrigação de florir teu caminho
Dizemos que é culpa do destino
tudo o que foge ao nosso controle
com isso nos roubamos a única chance
de enxergar o erro e tentar criar um novo começo
Não importa quem errou ou nos induziu ao erro
o que importa agora é o recomeço.
Comece... comece de novo e comece sempre
abuse do ponto final é ele que nos faz fortes
Olhar para traz e reconhecer nosso inimigo é bom.
É como tomar uma injeção de doença para se munir de defesas depois
A batalha um dia chegará... e será nosso corpo a vencer!
Cresça agora enquanto criança, já que esse tal de destino assim o quis,
para que em sua velhice você possa curtir sua velha infância perdida
com a felicidade de jamais ser chamado de aprendiz

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Falsa Fênix



E ver-te por entre névoas
sob raios de luz que me cegava
por sobre a baía, esquivei-me de ti
lá onde minhas dores ainda chorava

Ferida de amor, perdida, em prantos
como podia eu dar-te amor em quebranto
era o que restava em meu semblante fenecido
uma alma sentenciada a dor por um algoz desmedido

Acovardei-me em tua presença, bem sei!
Percebi ali, não seria capaz de amar de novo
Em minha face, encoberta por aquela espessa chuva,
escondi de ti minha aflição que jazia nua e crua

Não há palavras que descreva o que sinto
nem a dor de perceber que serias tu o meu Rei
- Não fosse esse labirinto!
Oh, tormenta, que não é maior que meu lamento
Perder meu algoz e meu Nobre em um só momento
Faz-me pior, a vagar com alma penante,
falsa fênix, que em agonia dissecante
se nega a ressurgir do pó pra vida
nesse flébil e sufocante céu cinzento

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sou tua doce sina



Sou pura ilusão de ótica
imagens que se fundem no pensar
ultrapassando limites, silenciosamente
me formando presente em sua frente
criando correntes, elos, inimagináveis
pulsando, arrepiando teu corpo
exalando perfume do pecado
que te sufoca até o ultimo suspiro
de um tipo de prazer um dia esquecido
Deixo tuas mãos trêmulas, umidecidas
tocando o vento como quem toca a pele
dourada, imaginária e viva na mente
que deixa rastro, flashes de um algo
provocante que presenteia saudade
Sou um amor esquisito...
de instantes fictícios
que enfrenta, desacata e fascina
te pega, te explora, transborda
Já era hora
Sou tua Donna, não sou menina
Sou ave de rapina
não há como se esquivar
sou tua doce sina

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Natal, realidade viva!



Menino querido
iluminado, abençoado
Teria voce um destino ja traçado
não fosse a tirania do Homem
ou o *"censo de Quirino"
seu malfeitor?

Batizado aos 30 por João
em meio a sua homilia
De joelhos no rio Jordão
Foi reconhecido como Messias

Decidido a cumprir sua missão na terra
recrutou os seus discipulos
pregou pela Galiléia, Judéia
e em Jerusalém
realizou muitos milagres
todos dele, de mais ninguém

fez a multiplicação dos peixes,
ressussitou Lázaro,
transformou água em vinho
se ao seu lado nao viesse ninguém
teria feito tudo sozinho

Sua Ceia, uma despedida
e o anuncio da traição
uma obra prima traduzida por Da Vinci
A partilha do Vinho e do Pão

Já no Sinédrio reafirmou sua missão
padecendo sob o poder de Pôncio Pilatos,
ele que poderia ter sido sua salvação
foi crucificado, morto e sepultado
Era o fim e o início
de nosso eterno e santo irmão

Deixe por ultimo os presentes,
ruas iluminadas
e o que comemos nesse dia
Não traduza o Natal
como pura e simples fantasia

Somos todos filhos de Deus
por consequencia somos irmãos
Falar de Natal é falar de Jesus
que nos trouxe a salvação

Lembremos de seu nascimento
de sua vida e seus ensinamentos
de sermos caridosos e amorosos
não só num dia mas em todo momento

Natal é uma realidade viva
e constante em nosso viver
Ser feliz, bondoso e consciente
será bom pra mim e pra você



*Os registros romanos mostram
que Quirino foi aquele que
teria feito o censo que obrigou
a viagem de Maria a Belém

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Meu coração é seu. Esqueceu?



Que estranha despedida
Sequer tem clima de partida
cheia de meias palavras
que não somam uma explicação

Tento centrar minhas idéias
acalmar meu coração
Mostrar apenas que te amo
que aguardo o fim da confusão

Mas isso é dificil demais
e por vezes saio do sério
Que faço eu com a minha dor,
quando finda esse mistério?

Traz voce de novo pra mim
Meu coração é seu, esqueceu?
Com voce longe ele não bate
e debate,
de tanto que entristeceu

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Amor bem perto




... e, sentir nosso amor bem perto
mesmo que, so por alguns instantes,
mesmo que, não do modo que sonhamos
é mais do que suficiente
para fazer brotar em nós
os mais cativos sentimentos
e com eles renascermos,
mesmo que, so naquele momento!!!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A poesia está morrendo? E a Natureza ainda chama a sua atenção?




Na realidade eu acredito que a passividade tomou conta dos corações, e não é uma realidade de hoje apenas, isso é antigo. O que mudam e se multiplicam são os fatos, mas a passividade é a mesma. E não são rostos mascarados em certo ponto da história que me farão mudar de opinião. O que "marca" é o isolado, porque o "corriqueiro" passa batido... por isso algumas pequenas e poucas revoluções fazem historia, porque chamam atenção por nunca antes terem acontecido. O que não quer dizer que venha a declinar as estatisticas da inércia humana.
As pessoas estão vivendo enjaoladas dentro de seu próprio universo, porque não dizer vivendo em "Castas", como é a realidade primitiva dos Indianos.
Nossas Castas não temem a um Deus, mas sim a um deus inconsciente que prima pelo seu bem estar e ao seu proprio umbigo.
Vivemos paranóicos com a violencia e com isso nos isolamos;
Vivemos preocupados com o futuro e com isso nao vivemos o presente;
Ignoramos aos necessitados como se eles não fossem nos encontrar em certo momento de nossa vida. Isso não é impossível. É fato. A gente sempre se encontra por aí na vida.
Interpretemos necessitados não apenas aos que tem sede de agua e fome de comida, o que ja seria mais que suficiente, mas também aos que tem sede de cultura, fome de amor, de companhia, de uma palavra amiga, de atenção.
Você me pergunta: "O homem perdeu a capacidade de admirar o belo e de assombrar-se com os mistérios da natureza?"
O homem não perdeu a capacidade de admirar o belo, é que o "belo" hoje mudou de conceito. Belo é salto alto, cabelo liso, cachos perfeitos, peles brilhantes, carro do ano, todo ano, casa grande e renovada. Assombrar-se com os mistérios da natureza? Claro que sim... para conseguir tudo isso que é belo nós temos que destruir nossa herança divina e lá vem efeito estufa, enchentes, seca, pessoas soterradas... isso sim é o que vem da Natureza que mais chama a atenção do homem... essa é a Natureza que aparece na TV.
Mas tenho esperança sim, que esses olhos passem a enxergar a beleza do simples, dos pequenos gestos, das delicadas gentilezas, dos sutis e amáveis olhares que já estão aos montes por aí e que só precisam de expectadores. E eu afirmo que não, a poesia não está morrendo, pois, enquanto isso, vamos nós poetas a registrá-los, quem sabe aos poucos consigamos alertar os corações (des) humanos.


Em resposta ao meu amigo Marcio Rufino em 15 abril de 2009 às 20:55 em seu fórum de discussão no Grupo "Eu escrevo poesias" de Jal Magalhães, no seguinte endereço:

http://redecultura.ning.com/group/euescrevopoesias/forum/topics/a-poesia-esta-morrendo?page=1&commentId=2625559%3AComment%3A15647&x=1#2625559Comment15647)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Meu "eu" Orfeu



Quero sussurrar que te adoro em seu ouvido, e
na praia, sentindo o balanço do mar te beijar
ao tempo em que nossos corpos se descobrem, e
se tocam, e vibram, dançando no ritmo de amar


Sinto esse vai e vem providencial e viajo, e
vingo-me daqueles solitários sonhos sonhados
que me trouxeram para a escuridão do amor, e
me fizeram triste por não estar ao seu lado


É neste mesmo mar de amar onde me entrego, e
faço de você verdade, realidade, amor só meu
que não desejo jamais, de novo me separar, e
sempre pra você cantar, tal qual fazia Orfeu


Personagem mítico, Poeta, Músico, como eu, e
amante do amor, mergulhando na dor, a cantar
Será esse meu fim? Assim sofrendo sem você e
Lutando contra a forte dor de só viver a sonhar?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Nada sou


Por que fizestes assim meu amor?
Será que nada do que fiz adiantou?
Porque são assim as histórias de amor?
Cheias de mocinhos e bandidos
lutando contra seus inimigos,
os corações apaixonados,
Mas que risco podemos correr
senão o de amar e viver
plenamente como dois safados e
uma vez apaixonados sem limites afinal?
Maravilhosamente fugindo do real
imaginando,sonhando,idealizando
sendo por alguns instantes apenas irracional.
Será que vivo no tempo dos contos de fada?
Quando vou acordar e pegar essa estrada,
que vai me levar ao que de fato me completa?
Nem sempre será o que te desperta,
por isso recebo este castigo.
Não me entendes, se assustas e se afastas
de mim como a um inimigo, um predador,
e voltamos a ser mocinho e bandido
roubando a cena um do outro
como caça e caçador.
Sem compreender que não adianta
e não mais cabe essa distância,
em vício isso já se transformou

Cansada estou
meu amor,
por favor,
por mim,
por nós
diz que não acabou
diz que ainda restou
o desejo,
o calor,
pois sem você
eu nada sou.