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sexta-feira, 7 de março de 2014
Smile
Meus olhos sorriem,
um sorriso largo
como daqueles bonequinhos “smile“ de batata frita congelada.
Tentador é sentir frio na barriga e não se embriagar dessa sensação.
A palavra seguinte se antecipa a anterior causando frisson em minhas frases.
Euforia...
Palavras submersas respirando por apenas uma pequena bolha de ar,
que surge ao acaso, ou de improviso ou de favor...
sabe-se lá!
Palavra antiga que não envelhece, não tem idade.
Eterniza-se nesse breve presente de apenas um segundo,
medida de tempo que passa, logo o presente passa.
O segundo passa, mas a palavra fica no segundo de agora.
A palavra é estável.
Você é palavra.
Você não envelhece.
Você não passa.
Mesmo que o tempo passe,
você não passa.
Você sendo palavra, e não pessoa, é o segundo de agora e não o que passou.
Por isso o sorriso largo, de “smile“,
pois mesmo que deixemos de existir algum dia,
renasceremos a cada momento em que essas palavras forem lidas.
Nesse instante, nesse segundo, seremos vida.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Já não sei mais nada
Como um bilhete escrito a mão
apago cada linha escrita em poesia.
Palavras, sentimentos, cumplicidade
que foram compartilhados um dia.
apago cada linha escrita em poesia.
Palavras, sentimentos, cumplicidade
que foram compartilhados um dia.
Como uma borracha num papel
e com a alma impiedosa,
cansada do sofrer,
tentando fazer não mais existir
a saudade, o desejo, você.
e com a alma impiedosa,
cansada do sofrer,
tentando fazer não mais existir
a saudade, o desejo, você.
Minha destra ágil na sentença
numa bruta missão catastrófica
cancela o amor poético,
apesar do coração sentido.
numa bruta missão catastrófica
cancela o amor poético,
apesar do coração sentido.
Inútil tormento...
Não apagou, sequer,
milímetros do sentimento.
Não apagou, sequer,
milímetros do sentimento.
Se ainda te amo,
confesso,
não sei.
Não sei.
Não sei.
Já não sei mais nada.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Danço com você!
Danço contigo,
ao som da melodia triste
que me amansa a lágrima,
depois do segundo, terceiro copo.
Danço,
ouvindo a letra que promete
o regresso
de quem sequer se foi
e, ainda assim,
machuca o peito.
Danço...
e novamente danço
sentindo-te comigo
ao som desse bolero
que me arrepia a pele
e faz verdade
cada pensamento meu.
Nostalgia pura,
a melodia, a letra,
a cena, o som,
a cor rubra do batom
que sequer saiu da boca
(enfeitou apenas
a taça solitária
que embriaga a alma
e faz promessas
sem sentido.)
Danço,
no sentido literal da palavra
quando o som cala
quando os olhos abrem
e as lágrimas rolam
quando largo o copo vazio
anunciando a solidão
de um lençol frio
sobre a cama
que aguarda
uma pessoa só.
Mesmo assim danço
sempre...
com você!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Dias comemorativos (ou Carta para meu Pai)

Eu tentei te homenagear no seu aniversário,
dia de São João
mas, uma onda de carência do seu afeto me invadiu,
e eu chorei.
É que nesse dia dançávamos juntos
ao som de Luiz Gonzaga,
você, o dançarino mais desengonçado que já vi,
e o meu predileto!
Eu queria te visitar ontem, dia de finados
mas achei melhor não,
me sentiria comemorando tua morte
e isso hei de não fazer jamais,
mesmo sendo chamada de insensível
pois nunca fui "te visitar".
E se eu for?
E se eu te encontrar?
O que vou fazer com essa vontade
de te agarrar e te chacoalhar
cobrando de você, que me dizia,
que jamais iria me abandonar?
E essa dor agora?
E essa lágrima que cai?
Certamente não é porque sou insensível
mas, pela certeza de que, se eu for,
não vou te encontrar...!
Hoje não estou para romance,
nem aí para as rimas
Meu corpo treme, minha alma cansa,
meus olhos inundam
e uma sensação de impotência
me faz, simplesmente, parar.
Também não gosto do Natal,
a gente se reúne e você não está.
(pior que ele chega já!)
Eu gosto do carnaval,
bebo três dias sem parar
e você não está pra reclamar
Mas, o único dia que comemoro,
e realmente adoro,
é o dia primeiro de abril
Pois minto todos os dias para mim mesma
fingindo, o ano inteiro, que você nunca partiu.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Tua Falta

Penso em ti,
Em teu rosto,
Em teu sorriso.
Teu assunto e tua voz
invadem meus momentos
sem pedir licença,
deixando-me com um olhar perdido
e um sorriso
tolo na boca que denunciam
meus sentimentos.
Não consigo desligar-me de ti,
e sofro por não saber de suas intenções,
que sei, estão distantes de mim.
Inquieta-me tentar me enganar
apenas pela ganância
da paixão sem medida
que, a custo, tenta
iludir-me
com esperanças
incautas.
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