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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Já não sei mais nada


Como um bilhete escrito a mão
apago cada linha escrita em poesia.
Palavras, sentimentos, cumplicidade
que foram compartilhados um dia.

Como uma borracha num papel
e com a alma impiedosa,
cansada do sofrer,
tentando fazer não mais existir
a saudade, o desejo, você.

Minha destra ágil na sentença
numa bruta missão catastrófica
cancela o amor poético,
apesar do coração sentido.

Inútil tormento...
Não apagou, sequer,
milímetros do sentimento.

Se ainda te amo,
confesso,
não sei.

Não sei.
Já não sei mais nada.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Falta

Cadê eu?
Fiquei no caminho,
na margem d'um lugar
que sequer tem nome
(Esse não é o meu lugar!)

Cadê a palavra,
que desvendava a alma?
Hoje parece oca.

Cadê o luar,
que iluminava a escuridão?

Cadê a dor que passava
só em tocar a sua mão...

Hoje a dor me falta,
isso me afasta.
(Antes dor, que o vazio)

Cadê a lágrima?
Ela não rola e me aperta o peito.

Cadê o segredo, o sonho, o desejo?
Cadê a flor, a tela, a música
a melodia que fazia dançar, amar?

Cadê a infantil falta de senso
que não me fazia desistir?
Não me fazia deixar de amar...

Cadê a insistência diante do não?
O não era apenas um ponto de partida
e não o final.

Hoje sou ponto.
Hoje não sou, não estou.
Hoje passou
Hoje sou o ontem sofrido
desse dia feliz
que um dia há de chegar.