sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mãe



Mãe,
Nos teus braços me
transformo.
Ao teu lado viro criança,
me torno puro, sorrio, choro.
E me vem as boas lembranças,
seu cheiro, seu colo...
e todo um aconchego bom!!!

sábado, 21 de abril de 2012

Sigo


Sinto falta do silêncio em mim.
O fechar da boca nada quer dizer.
O que existe fica alí, entranhado na alma.
Gritante.
Ecoa. Magoa.
Dor latejante daquelas que não há remédio.
Sem cura.

E, na loucura do desfazer,
do refazer, ou simplesmente do
sem ter o que fazer, sigo.

Sigo tentando não olhar pra trás
Como se fosse possível rasgar lembranças.

Não foi história inventada, escrita num papel

Portanto,
Não se rasga.
Não se apaga.
Não se cura.
Não tem remédio.

Contudo,
como tudo mais,
se acaba...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Na palma da mão


Não sei quantas vezes tive vontade de gritar com você.
Sua teimosia me mata e me deixa louca.
Saberia ao menos o que se passa se você me desse apenas uma chance.
Mas você, nesse seu mundo real, não se dá ao luxo de viver um pouco a fantasia.
Carrega o mundo na palma da mão.
Louco é o homem que apenas vive... e não sonha.
Minhas decisões de nada adiantam. Você ignora meu sim, ignora meu não.
E querendo fazer de conta que não estou nem aí. Abstraio. Me traio. Sufoco.
E para matar você em mim preciso antes morrer.
Questão difícil, se já me sinto morta 
não seria justo que já o tivesse matado?
É um labirinto cheio de enigmas como quadros na parede.
E eu estou naquele retrato. O mais complexo. O abstrato.
Não sei se vou, se fico.
Eu mesma respondo: 
"Qualquer um. Você não se importa."
Mas, desta vez não emudeço. 
Não pasmo. Não paro. Falo sério.
É sem volta. 
Estou saindo por aquela porta!

Já não sei mais nada


Como um bilhete escrito a mão
apago cada linha escrita em poesia.
Palavras, sentimentos, cumplicidade
que foram compartilhados um dia.

Como uma borracha num papel
e com a alma impiedosa,
cansada do sofrer,
tentando fazer não mais existir
a saudade, o desejo, você.

Minha destra ágil na sentença
numa bruta missão catastrófica
cancela o amor poético,
apesar do coração sentido.

Inútil tormento...
Não apagou, sequer,
milímetros do sentimento.

Se ainda te amo,
confesso,
não sei.

Não sei.
Já não sei mais nada.


Hipócrita

Eu não sou hipócrita.
Te amo.
Te admiro.
Não mude,
se for por mim!

domingo, 8 de abril de 2012

Rabiscos

Escuto mil sons
Releio tuas linhas
Me perco nas entrelinhas
Não entendo o remendo nesse amor.

Rabisco. Risco. Desespero.
Preciso de você aqui.

Sereno é o amor que alivia.
Ausente, desmente sua serventia.
Sofro de noite, de dia.
Com essa falta de você.

O choro me faz desistir.
Em desespero adormeço...
E o desejo?
Renasce no amanhecer.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Suicida



O sabor  dessa palavra doce
que ilude os lábios...

O amargo do passado surge
e desmente cada intenção.

O beijo se guarda e
se resguarda da dor. 

Não mais se confunde.

Antes que o coração
se inunde de falsas
raízes, suicida.

E matar-se
significa nascer,
e de novo
viver para amar
e não mais
morrer de amor.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Doce castigo



Falando de você, pra mim.
Me escuto atentamente.
Tentando me convencer.
Não é tão ruim sem você!

Não foi recentemente...

O pouco tempo ausente,
que já era muito,
se estende
até hoje. 

O tempo agora é antigo.
Ele, outrora inimigo, 
faz as pazes comigo.
Me deixa sentir saudades
mas, hoje, sem sofrer.

Sem sofrer,
lembrando você 
apenas,
um doce castigo!


quinta-feira, 8 de março de 2012

Eu, um ser néscio



A luz do olhar que despe.
A palavra que fala mais do que disse.

Poucas palavras.
Uma, talvez.
Nem sei.

E outro talvez, me diz: 
"talvez, nem o tenha dito."
Ou disse 
e não é necessariamente o que disse.

Ou, é apenas o que é, e só.

Entender todos os sentidos,
momentos vividos,
experiencias,
atrapalha
e faz de mim
um ser néscio.

Tristeza, minha companhia.


Eu sou boa com a tristeza.
Alma melancólica.
Pensamentos sombrios.

Meu sol é de tardes chuvosas
Minha lua é minguante
Minha rua é sem saída,
quem entra faz a volta.

Meu sorriso é de canto,
de entremeio,
nem sei porque veio.

Lábios feridos
do fel consumido
do amargor vivido.

Sou o pneu do lago, jogado
não é esquecido porque incomoda.

Sou a poluição do chão
com minha sombra escura.

Sou pedra, por entre as pedras.
 
Sou boa mesmo é com a tristeza
até me alegra
pois não me deixa sozinha.

Tristeza, minha companhia.




Sou Mulher



Fui eleita para ser perfeita
mas nao controlo, sou temperamental
me viro do avesso, realizo meus desejos
se preciso, "meto logo uma real".

Quero ser atriz de novela
das bonitas, chiques e bem amadas
Mesmo que eu seja feia, cruz credo,
não quero ser triste nem apagada.

Quero ser aquela pedinte na esquina
beijando seu filho e lhe dando carinho
mesmo estando sem rumo, sem marido, sem casa
totalmente flagelada, à margem, fora do ninho

Quero ser aquela empresária, 
que usa terninho e gravata
mas quando chega em casa
brinca com as crianças no chão,
no tapete da sala.

Quero ser a enfermeira ou a médica
que incorpora seu papel, sua ética,
deixa seus filhos em casa doente
E vem pro hospital pra cuidar da gente.

Também quero ser...

A aeromoça que viaja por nossa causa.
 
A policial que enfrenta bandidos 
defendendo nossa casa.
A professora que ensina aos nossos filhos,
em nosso lugar.

Ou a religiosa, que tem sempre
uma boa palavra pra nos consolar.

Quero ser um pouco de cada uma delas
e até, as que aqui não coube falar
quero ser um pouco de você que não conheço
mas que tem muita história boa pra contar

Sou mulher,
(ao tempo em que sou única,
a vida me transforma em várias)
desgostos descarto na vida
as coisas boas eu levo pra casa

Escrita em 08/03/2010

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quero te dar


Eu quero te dar esse amor
que tenho aqui guardado
que me incomoda demais
batendo aqui no meu peito

Eu quero te dar esse beijo
que está aqui te esperando
não consigo mais prendê-lo
quer voce de qualquer jeito

Eu quero te dar esse abraço
que se sente em mim aprisionado
e me inferniza implorando demais
que quer te envolver, nada mais

Eu quero te dar o meu corpo
a pele tá arrepiando demais
quem sabe ele faz teus gostos
pois a mim ja nao obedece mais

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A pergunta que não queria calar

O óbvio não mostra a essência, não se engane.
Se a sensibilidade for pouca, não julgue.
O ódio é a máscara que ofusca o anseio,
o desejo do que deveria ser, e não foi.

Silêncio não cala pergunta.
Maldita seja a palavra não dita!

A introspecção promove o ponto final a reticências,
e dá continuidade ao que deveria ser fim.
A singularidade dessa prisão, de certa forma,
se torna plural nas coincidências,
e se torna explícita
quando a expressão não cala,
assim como fez a boca.

A falta, por fim será resposta.
Só não preencherá o vazio
que tomará conta do que antes era,
apenas
a pergunta que não queria calar.

E, se não entender isso,
de nada adiantará...




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Antes fosse vazio...


Na solidão, de hoje em diante,
esbarro-me cada dia,
em cada instante,
com a beleza do que se foi
no adeus...


Todo coração é morada
de todo "sim" e amor vivido.
Carrega cada palavra doce.
Que dor,
chamar amor de antigo!


Aceitar a sentença do não.
Como dizer ao coração que
sua paixão não te ama mais,
e um: "Acorda, rapaz!"?


E entre os "sim e não" diários
Há um que dói para sempre
Deixa a alma doente e o coração
em pulso intermitente.


Pena que ele não segue vazio
Antes fosse vazio,
porque vazio se preenche...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amor de mentirinha

Tua palavra muda
não muda nada...
O jeito estranho de abster-se
d'um amor, talvez de mentirinha.
Que feio, "amor de mentirinha!"
Nunca sentido, quem sabe!?
A espera descansa nas ocupações do dia,
de cada dia... em cada "a fazer".
A imensidão já não invade, recua.
A felicidade, estranhamente está aqui.
Não se sabe, se de tão forte,
a dor passa, ou adormece.
Há garantia apenas, de que, ao menos,
a arte ficou. A poesia, imortalizou.
E fez verdade, esse amor.
Esse amor de mentirinha...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Falta

Cadê eu?
Fiquei no caminho,
na margem d'um lugar
que sequer tem nome
(Esse não é o meu lugar!)

Cadê a palavra,
que desvendava a alma?
Hoje parece oca.

Cadê o luar,
que iluminava a escuridão?

Cadê a dor que passava
só em tocar a sua mão...

Hoje a dor me falta,
isso me afasta.
(Antes dor, que o vazio)

Cadê a lágrima?
Ela não rola e me aperta o peito.

Cadê o segredo, o sonho, o desejo?
Cadê a flor, a tela, a música
a melodia que fazia dançar, amar?

Cadê a infantil falta de senso
que não me fazia desistir?
Não me fazia deixar de amar...

Cadê a insistência diante do não?
O não era apenas um ponto de partida
e não o final.

Hoje sou ponto.
Hoje não sou, não estou.
Hoje passou
Hoje sou o ontem sofrido
desse dia feliz
que um dia há de chegar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fogueira



Em baixo da cinza, tem fogo.
Não bote lenha!
Lá, na serenidade da cor,
tem vida,
não pode ser remexida.
Na paz, do que é quase fim,
pode estar o começo,
e eu digo, e repito,
não bote lenha!

Também não sopre,
pois não apaga!
A mais leve brisa
pode ser fonte,
e eu volte.

Não seja fonte,
não seja sol,
o solo é árido.

Não toque nas cinzas,
só o tempo pode apagá-las.

Me deixe ser fogo
sob as cinzas,
enquanto puder.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Adiando o amor


O abraço do desejo que envolve
e provoca arrepio na pele,
com indício de paixão.

Um sentimento,
o desconhecido.

A voz que sussurra e provoca.
A mão forte, em movimentos suaves
e toque macio.

A canção.
O silêncio.
O nada, se fazendo existir.

O olhar guardado, que intima,
pois o coração condena.

E a palavra, que cala,
adiando o amor.

domingo, 24 de julho de 2011

Esse mar...



Ah... esse mar
de um amor estranho
que manipula meus dedos,
invade meus sonhos
e descreve em palavras
o que nem eu mesma ousei

Ah... esse mar
que me aguarda, e nem sabe
as aguas em mim estão mansas
meu peito quebrando alianças
pisando centelhas de antigas chamas

Ah... esse mar
me faz querer voltar atrás
retomar antigo e complexo caminho
(que reflete cansaço)
de um faz de conta que terminou
sem nunca antes ter começado

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Danço com você!



Danço contigo,
ao som da melodia triste
que me amansa a lágrima,
depois do segundo, terceiro copo.

Danço,
ouvindo a letra que promete
o regresso
de quem sequer se foi
e, ainda assim,
machuca o peito.

Danço...
e novamente danço
sentindo-te comigo
ao som desse bolero
que me arrepia a pele
e faz verdade
cada pensamento meu.

Nostalgia pura,
a melodia, a letra,
a cena, o som,
a cor rubra do batom
que sequer saiu da boca
(enfeitou apenas
a taça solitária
que embriaga a alma
e faz promessas
sem sentido.)

Danço,
no sentido literal da palavra
quando o som cala
quando os olhos abrem
e as lágrimas rolam
quando largo o copo vazio
anunciando a solidão
de um lençol frio
sobre a cama
que aguarda
uma pessoa só.

Mesmo assim danço
sempre...
com você!


video

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paz interior




Paz interior...
numa mesmice agradável.

Noites sem sonhos,
sem pesadelos, e
vivendo apenas o normal,
que antes tanto assustava,
e do qual tanto se fugia.

Medo,
apenas de encarar as linhas
e de não ter o que dizer.
O normal é assim!

Saudade
das palavras que diziam
e que faziam sentir.

Sentir pra quê?

Deus me guia
e tudo,
tudo,
continua no lugar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não consigo silenciar



Eu não consigo silenciar
porque meu desejo fala
minha pele exala,
palavras
que guardo no pensamento.
Que não se perdem no tempo
já que vem do amor
e o amor é atemporal.
É tão bom não ter mais força,
me entregar,
e, a ti, confiar meu coração.
Deixá-lo me fazer voar...
E se, por acaso, errar
(eu, você)
culparemos a paixão.

terça-feira, 15 de março de 2011

As vezes eu odeio




As vezes eu odeio
a franqueza dos fracos,
ela não me convence.
Odeio o medo sem sentido, excessivo,
de quem nem tentou.
Não suporto a frieza de quem desistiu
quando viu o percurso
e o chamou de impossibilidade.
Tenho pena de quem não vive
e se sente feliz diante de seu mundinho pequeno
(e não abriu os olhos para o inexplorado).
Que a escuridão venha para os iluminados
que reclamam da vida e não enxergam a sorte que têm
talvez assim possam dizer: "Eu era feliz e não sabia!".
Tenho pena de quem não sentiu o calor do sol na pele
só porque disseram que não fazia bem.
E também da ignorância de quem julga,
sem saber sequer do que está falando.
Ignoro totalmente a cegueira medíocre
de quem só enxerga defeito
e só fala o desnecessário.
Desprezo a opinião de quem disponibiliza tempo
apenas para criticar a vida alheia
e sequer olha para seu próprio umbigo.
E, finalmente,
não quero perder meu tempo
com coisas ou pessoas que dão passos para trás
sem prestar atenção nas cenas dos próximos capítulos.
Sinceramente, gente assim
eu acho ridículo!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A arte de ser poeta




E, ser artista e ser poeta é ser eterno
É ser vida, mesmo quando em sua morte
É ser sorte, mesmo quando em triste fardo
É ser tudo, mesmo quando resta apenas nada
É ser forte em expressão, mesmo estando fraco
É carregar a dor, com amor, de seu dom de ser ator


Escrito em 14/03/2009

Inútil Silêncio




É inútil fugir
da vida,
da fantasia,
dos sonhos

É inútil querer desprezar
ou esquecer
ou desinventar
o amor,
e os atores
desse só nosso
paraiso.

Me recuso a deixar de existir
(Mesmo que
em nossa realidade inventada)
Me recuso a deixar de viver,
de conhecer,
de amar,
de aprender
e de compartilhar,
um "sonho"
com você!!!

E nesse seu inútil silêncio,
que por vezes não cala,
grita em mim a ausência
do amor de quem,
na impossibilidade de existir,
só se esconde,
e mesmo assim
só faz bem
(mesmo diante
de inúmeros
e dispensáveis
"adeus")

Fio da meada




Não há outro sentido

Não existem aspas

Não há culpa,

nem dúvida,

nem impasse.


Nada é indecifrável

nem enigmático...


O simples, o verdadeiro

ou o significado

é o que está escrito e só.


Com essa mania de pensar demais

pegamos o fio da meada

e damos um nó!!!

sábado, 5 de março de 2011

Várias Razões



Há um navio que ancora em teu porto
discreto, mas cheio de emoções
ele não te leva dissabores, como os outros
Mas tu não enxergas por várias razões

Dá atenção pras tristezas
se entrega ao vazio do sofrimento
esquece da vida em alguns momentos
e segue o caminho das incertezas

Olha dentro de ti
e acharás teus sonhos
Um coração não se perde
se não for por amor
olha o navio em teu porto
que há muito ancorou
A morte eu peço
mas para teu passado cruel
e muita vida para o momento
que ainda nem começou

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma pena... uma dor!




Uma tela
Uma mesa
Uma dor

Uma pena
Um tinteiro
Um escritor

Uma música
Uma poesia
Um apelo

Um ano novo,
um novo mesmo amor
mais um ciclo a ser vivido
dentro d'um sonho antigo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lamentos



Vejo o tempo passar, mas não vejo reação nem mudança.
Vejo apenas as diferenças fazendo aniversário e se acumulando.
E porque será que, ironicamente, a resposta disso é necessária para poder mensurar o lugar em que se ocupa?
E, analisando bem, visto através desse ponto de vista, sinto-me reduzida a nada.
A vida está um desastre por si só e, apenas "o tempo" não resolve nada nesse momento,
e isso preocupa, e entristece a cada dia...
A falta existe, mas não do que se representa hoje, mas sim do que já foi um dia.
Tudo isso já foi sentido antes, porém não cabe, e nem se deve, sentir tudo outra vez, é muito dificil isso agora... se deixar levar e/ou passar por velhos tormentos.
Talvez o susto do novo faça-nos permitir o sofrimento, mas a sensatez da experiência não tolera mais!
E talvez essa intolerância tão viva, esteja estragando tudo ou querendo fazer viver o novo.
Não existe vida sem lamentos, mas não se pode viver mergulhado apenas neles. Uma hora falta o ar e a alma se afoga.
Que a vida seja repleta de sentimentos, mas que não precisem ser sufocados.
Que a dor seja presente, mas que alegria visite trazendo alívio para as novas dores e decepções inevitáveis
Que a mente relaxe, e que apenas uma vez só na vida tudo se resolva por si só, feito um bônus divino.
Que o coração enlouqueça,
Que a cabeça trabalhe,
Mas que, finalmente, os lamentos encontrem a paz...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dias comemorativos (ou Carta para meu Pai)



Eu tentei te homenagear no seu aniversário,
dia de São João
mas, uma onda de carência do seu afeto me invadiu,
e eu chorei.
É que nesse dia dançávamos juntos
ao som de Luiz Gonzaga,
você, o dançarino mais desengonçado que já vi,
e o meu predileto!



Eu queria te visitar ontem, dia de finados
mas achei melhor não,
me sentiria comemorando tua morte
e isso hei de não fazer jamais,
mesmo sendo chamada de insensível
pois nunca fui "te visitar".



E se eu for?
E se eu te encontrar?
O que vou fazer com essa vontade
de te agarrar e te chacoalhar
cobrando de você, que me dizia,
que jamais iria me abandonar?
E essa dor agora?
E essa lágrima que cai?
Certamente não é porque sou insensível
mas, pela certeza de que, se eu for,
não vou te encontrar...!



Hoje não estou para romance,
nem aí para as rimas
Meu corpo treme, minha alma cansa,
meus olhos inundam
e uma sensação de impotência
me faz, simplesmente, parar.



Também não gosto do Natal,
a gente se reúne e você não está.
(pior que ele chega já!)
Eu gosto do carnaval,
bebo três dias sem parar
e você não está pra reclamar
Mas, o único dia que comemoro,
e realmente adoro,
é o dia primeiro de abril
Pois minto todos os dias para mim mesma
fingindo, o ano inteiro, que você nunca partiu.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Desconfio




Desconfio que o coração quando bate forte assim
é sinal de uma alma aprisionada, lutando querendo se libertar.
Mas, esse meu coração não há de desistir, não há de se entregar!
E as lágrimas que não aprisiono parecem deixar escapar um pouco desse tormento,
de algo que sobrevive e insiste em criar vida e dominar.
Alma não chora! Ela nos guia ao nosso destino e como inimigo de nós mesmos
procuramos racionalizar os sentimentos tentando anular a existência do amor,
da ausencia, da esperança ou da liberdade de escolha que possuímos.
E porque não acolher o prazer que está por vir?
Nem sempre prazer é sinônimo de realidade, segurança ou verdade.
E a fraqueza toma conta, domina e decide pelo não.
Dificilmente se arriscar (e, quem sabe, perder ou errar) será hábito de muitos. Muitos de nós, aliás, não aceitamos perder para se conseguir mais.
Só queremos somar!
É um hábito muito posto em prática nos dias de hoje e, naturalmente,
se tem perdido muitas possibilidades de ser feliz com medo de dividir o que pouco se tem. Viver não é fácil e ser feliz, nem se fala. Meio paradoxo, mas é a pura verdade... dá um trabalho e é sofrido conseguir ser feliz, uma vez que vivemos anestesiados, sensíveis apenas às fortes emoções, onde é preciso muita força de vontade para conseguirmos apertar o freio, desacelerar e parar pra sentir a delicadeza do que realmente faz diferença em nossas vidas. Pequenos detalhes que, comumente, deixamos escapar por estarmos procurando coisas grandiosas as quais direcionamos nossas frustrações por não tê-las. Vamos somar tristeza com sorriso, alegria com lágrimas, dor com resultado positivo. Vamos tentar criar um meio termo, ou quem sabe ser um pouco *Pollyana e jogar seu "jogo do contente" adotando, como hábito, atitudes e interpretações otimistas. Vamos libertar nossas almas, vamos treinar um sorriso em meio às angustias. Não vamos somar tormento às dores e decepções, pois elas já são um desastre por si só. Procuremos com isso novos caminhos, procuremos não nos deixar dominar por nós mesmos (quer prisão maior que essa?). Não vamos mais sofrer pra ser feliz!!! Eu quero ser feliz pra continuar a ser feliz, mesmo que com pouco, se for apenas isso que me reste!
Desconfio, que quando estou assim, estou mais uma vez acordando pra vida, pra uma
nova etapa que inicia. E tudo o que é novo de certa forma assusta! E eu com minha cara de espanto respiro fundo, sigo em frente e dou aquele próximo passo.
Desconfio de tudo, mas sempre, sempre confiando em mim!



*Pollyanna (ISBN 8504006085 ) é um romance de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 e considerado um clássico da literatura infanto-juvenil.
Veja mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pollyanna

sábado, 11 de setembro de 2010

Atemporal




Atemporal,
a dor nos meus versos
o amor que desconverso
a distancia que aumenta
a insonia nesse quase adormecer,
ou o despertar que me enfrenta
te desinventa e me atormenta

Atemporal,
também, o verbo amar
desses teus olhos que não vejo
dessa tua brincadeira de desejo,
noturna, de faz-de-conta
que me faz as vezes sentir
a doçura, em meus lábios,
de um longo e terno beijo

Atemporal e terso
talvez só meus versos
quem sabe o amor que sinto
eu minto
quando borro meus sonhos
numa tela abstrata,
ou quando desconverso,
ou me traduzo
numa complexa obra de arte