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domingo, 2 de março de 2014

COVA ARDIA

Sei que a solidão do meu poema tem tua companhia.
Constante és nessa tua ausência tão marcante.
Sei que tu estás.
E ao ler estas linhas, é um tal de auto controle indesejável.
Covarde és... auto controle.
Teu sorriso solitário me responde.
Um sarcasmo que me consome.
Covarde... fragilidade.
Tua cadeira gira, mas não tira do lugar.
Não há enfrentamento,
apenas o pensamento que consome.
Devorador de almas.
Covarde... arma.
Não só se apunhala,
mas se arrasta,
levando-me consigo em sua COVA ARDIA.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Algumas poucas palavras...

Preciso da tua palavra,
da tua gritaria tardia e espaçada
- que fazia alarde, e só.
Nada além de fragmentos
de uma desprezível medida de vontade.
Homeopático do amor,
curando o coração com abstinência e se auto imunizando com
o próprio veneno que exala.
Acostumo-me com o quadro branco,
sem riscos,
sem risos,
sem lágrimas.
Me vem o impulso de escrever doces palavras.
Mas não me identifico com essa angustiante forma de dizer o que não se sente.
Se o buraco é negro, deixa estar.
Talvez esse incomensurável vazio se preencha com a escuridão de sua profundidade.
Que seja vazio enquanto cure…

Foto: Carol Burgo

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Já não sei mais nada


Como um bilhete escrito a mão
apago cada linha escrita em poesia.
Palavras, sentimentos, cumplicidade
que foram compartilhados um dia.

Como uma borracha num papel
e com a alma impiedosa,
cansada do sofrer,
tentando fazer não mais existir
a saudade, o desejo, você.

Minha destra ágil na sentença
numa bruta missão catastrófica
cancela o amor poético,
apesar do coração sentido.

Inútil tormento...
Não apagou, sequer,
milímetros do sentimento.

Se ainda te amo,
confesso,
não sei.

Não sei.
Já não sei mais nada.


domingo, 8 de abril de 2012

Rabiscos

Escuto mil sons
Releio tuas linhas
Me perco nas entrelinhas
Não entendo o remendo nesse amor.

Rabisco. Risco. Desespero.
Preciso de você aqui.

Sereno é o amor que alivia.
Ausente, desmente sua serventia.
Sofro de noite, de dia.
Com essa falta de você.

O choro me faz desistir.
Em desespero adormeço...
E o desejo?
Renasce no amanhecer.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amor de mentirinha

Tua palavra muda
não muda nada...
O jeito estranho de abster-se
d'um amor, talvez de mentirinha.
Que feio, "amor de mentirinha!"
Nunca sentido, quem sabe!?
A espera descansa nas ocupações do dia,
de cada dia... em cada "a fazer".
A imensidão já não invade, recua.
A felicidade, estranhamente está aqui.
Não se sabe, se de tão forte,
a dor passa, ou adormece.
Há garantia apenas, de que, ao menos,
a arte ficou. A poesia, imortalizou.
E fez verdade, esse amor.
Esse amor de mentirinha...