quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um brinde ao Natal!


Eu caminhava devagar, pensando, sozinha pela rua, calada,
admirando a lua, as estrelas, aquelas pessoas com pressa e
as luzes dos carros, sem o barulho de buzina habitual, talvez,
por ser noite fria, tarde, bem tarde e com muita melancolia.
Aquele cara deitado no chão, com a mão estendida, trêmula...
Aquela cara triste, cheia de sinais, de velhice e de falta de amor
Levantou sua mão em minha direção e eu não sabia o que queria
Seria dinheiro, companhia, um socorro, carinho, ou atenção?
Um peso em meu peito me acompanhou. Eu vi aquilo e não fiz nada.
Aquela hora, o que eu poderia fazer? Apenas apressei o passo.
Não é o que você faria? Será que você pararia e sentaria ao lado
pra tomar um café e jogar conversa fora? Era noite de Natal,
será que você não o convidaria para participar de sua Ceia, afinal?
Não faria, não. Iria embora, como eu. Olhando para o próprio umbigo
e, se muito, com um pouco de dó... e só!
Olho pro lado e vejo aquele menino, pequenino, lindo, apesar dos trapos,
se esticando para alcançar o Pára-brisa tentando ganhar aquela moeda, que
ele não sabia, mas desta vez, não ganharia. O sinal abriu e lá se foi o carro.
Jogou seu rodinho de mão no chão e tamanha foi sua decepção, sentou na calçada
franziu a testa, levou suas mãos a cabeça, se irritou, chorou e por alí ficou.
Continuei meu caminho. Fechei meu casaco. Apertei minha bolsa. E seguí.
Segui pra casa, segui com a minha vida, com um saco na mão. Cheio de presentes.
Ao chegar em casa vi aquela mesa farta. Vi aquela gente chegando cada vez mais
Desfilando com pratos na mão. Cada um querendo chamar mais atenção, Perú, Tender, chester, salada, bacalhau e até salmão. Muito cheiro, sabor e que bela arrumação! Bebidas... Nem te conto...
Whisky, Champagne, Vinho, Cerveja, Refrigerantes, tinha pra todo gosto e a temperatura? No ponto.
Uma árvore de natal bem linda, cheia de luzes, enfeites, e o melhor, cheia de presentes e a família toda reunida.
Esquecemos de tudo nesse momento:
Do irmão sem emprego,
Do sonho que não se realizou,
Do principe encantado que não chegou,
Da dívida que não pagou,
Do amor que nao voltou,
Do objetivo que não alcançou,
Planos, muitos planos...
É só o que resta, além do balanço e agradecimento pelo que Deus nos abençoou.


Levanto minha taça e brindo à hipocrisia de um mundo que se esconde por trás de suas próprias falhas, se passando por vítima e fazendo de conta, por um instante, que não existe nada.

Um comentário:

Carla disse...

Oi amiga,

Sou fã incondicional de suas poesias, do site em si. Mas, essa reflexão sobre o Natal tocou bem fundo. Em situações e ações que estamos cansados de ver e fazer e nem reparamos. Mas, quando chegamos a ler, choca, maltrata, esmagq. Pessoas que se acham tão caridosas, imediatamente, se vêm egoístas.
Mais uma vez valeu, afinal de contas, para mim, Natal é tempo de reflexão, de acertar os caminhos. Quem vai querer uma reflexão maior que esta?

Beijos.
Carla.